Nem toda IA entende de marketing (e isso importa mais do que você imagina).

A última pesquisa que conduzi sobre o uso da IA no marketing trouxe um dado revelador: mais de 80% dos profissionais já usam o ChatGPT no dia a dia.

Faz todo sentido. Ele foi o pioneiro, o responsável por democratizar a IA generativa para nós, profissionais não técnicos. E rapidamente se transformou em algo maior que uma ferramenta, virou uma espécie de "consultor universal". As pessoas perguntam de tudo: desde "como escrever um e-mail de follow-up" até "qual a melhor estratégia para aumentar engajamento no Instagram".

Ele responde. Com confiança. E nós acreditamos.

Mas será que ele realmente entende de marketing?

O que está por trás da "mágica" (e seus limites estruturais)

As IAs genéricas de mercado (ChatGPT, Gemini, Claude etc.) foram treinadas com volumes monumentais de dados. Elas conseguem conversar sobre praticamente qualquer assunto, criando conexões sofisticadas e respondendo com impressionante naturalidade. É fascinante: a sensação de que há alguém do outro lado, compreendendo genuinamente nossas perguntas.

Mas há um problema estrutural que poucos discutem: ter acesso a muitos dados não garante respostas estratégicas.

Para que essas IAs entreguem algo verdadeiramente útil, é imprescindível que você forneça contexto detalhado, instruções precisas e, muitas vezes, corrija o curso várias vezes. É o que chamamos de engenharia de prompt — uma habilidade que, ironicamente, exige tanto tempo quanto fazer o trabalho manualmente.

E aqui mora o risco maior: essas IAs não foram treinadas para admitir ignorância. Elas não dizem "não sei". Em vez disso, geram respostas plausíveis mesmo quando não têm informação confiável — as famosas "alucinações", quando a IA inventa dados, métricas ou referências com total convicção.

Se você não domina profundamente o assunto, a probabilidade de aceitar essas informações como verdade é altíssima. E no marketing, onde decisões estratégicas impactam diretamente resultados de negócio, isso pode ser custoso.

Exemplo prático: uma IA genérica pode sugerir "criar conteúdo viral" ou "usar storytelling emocional", mas raramente vai considerar o estágio do funil em que seu público está, a maturidade de marca, ou se sua estratégia de conteúdo deve priorizar autoridade ou conversão. Ela extrapola padrões linguísticos, não aplica expertise profissional contextualizada.

A diferença entre gerar conteúdo e gerar resultado

No marketing, essa distinção é extremamente crítica.

Tenho observado uma confusão crescente no mercado: muita gente acredita que todas as IAs são iguais, que basta "fazer o prompt certo" para ter uma campanha pronta. Mas a realidade é outra.

IAs genéricas são como clínicos gerais: entendem o básico de tudo, mas não dominam a profundidade necessária para resolver problemas complexos. Elas podem sugerir ideias interessantes, mas raramente entregam estratégias verdadeiramente alinhadas aos objetivos do seu negócio.

Já as IAs especializadas operam em outro nível técnico e estratégico. Como neurocirurgiões, para manter a analogia do clínico geral.

Elas passam por processos de refinamento como:

  • Fine-tuning: treinamento adicional em datasets específicos da área.
  • RAG (Retrieval-Augmented Generation): acesso a bases de conhecimento validadas e atualizadas.
  • Prompt engineering embarcado: contexto profissional já integrado, dispensando explicações extensas.

No caso de uma IA especializada em marketing, ela compreende nativamente conceitos como:

  • Voz e tom de marca
  • Posicionamento estratégico e diferenciação
  • Jornada do cliente e gatilhos mentais
  • Frameworks de copy (AIDA, PAS, FAB)
  • Métricas de performance (CTR, CPA, LTV)

Mais importante: ela é treinada para evitar alucinações e, quando necessário, admitir limitações ao invés de inventar informações.

Essa IA entende quando uma legenda precisa gerar identificação emocional, quando um e-mail precisa acelerar conversão e quando uma landing page precisa reforçar autoridade. Ela não responde "qualquer coisa que soe profissional", ela responde como um analista de marketing sênior responderia.

A verdadeira revolução não é usar IA. É usar a IA certa.

As ferramentas genéricas cumpriram seu papel histórico: popularizaram a tecnologia e mostraram o potencial transformador. Mas agora estamos entrando na segunda onda — a era da IA de ofício.

São ferramentas que não apenas "entendem sua pergunta", mas compreendem sua profissão, falam sua linguagem técnica e multiplicam seu tempo de forma genuinamente estratégica.

A pergunta que deixo é: você quer continuar usando uma IA que sabe "um pouco de tudo" ou está pronto para trabalhar com ferramentas que dominam marketing com a profundidade de um especialista?

A diferença prática:

  • IA genérica: "Crie uma legenda para Instagram sobre produto X".
  • IA especializada: Entende seu posicionamento, adapta ao tom de marca, sugere CTA adequado ao estágio do funil e já formata para práticas recomendadas da plataforma.

Reflexão final: o futuro do marketing com IA não é sobre substituir profissionais, é sobre potencializar quem domina estratégia com ferramentas que realmente entendem seu ofício.

Teste, compare, questione. O que parece "apenas mais um texto" pode se transformar na peça que faltava para escalar seus resultados de verdade.

 

Artigo escrito por:

Fundadora & CEO na Cria+ | Criadora da Imersão Marketing na Nova Era | Coautora de “Mulheres na IA” | Speaker Horasis Global Summit
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